terça-feira, 26 de dezembro de 2017



NATAL DE 1971

No dia seguinte ao dia de NATAL, escrevi a um familiar contando-lhe como passei essa quadra festiva e passo a seguir essa carta: 


Carlos Amaral
"Do meu Baú de Memórias"



quarta-feira, 13 de dezembro de 2017



MENSAGEM DE NATAL


Mais um ano, praticamente, está a chegar ao fim, no qual muitas coisas nos aconteceu, umas melhores outras nem tanto, mas o facto de podermos passar, mais uma vez esta quadra é motivo de satisfação. Para todos UM BOM NATAL e que o NOVO ANO nos traga tudo aquilo que mais desejamos, sãos o votos sinceros do nosso BLOG.



domingo, 10 de dezembro de 2017


EMISSOR REGIONAL DE SAURIMO – ENCERROU

Estávamos nos primeiros dias de Dezembro de 1971 e a cidade foi surpreendida com o encerramento do seu Emissor de Rádio. Numa localidade em que a cultura tinha pouca representatividade, pois poucas eram as manifestação dessa ordem, a rádio tinha um papel preponderante para os cidadãos comuns. Através das suas emissões ia-se tendo conhecimento das principais notícias do País, sobre desporto, atualidades musicais e tinha uma rubrica de “Discos Pedidos” que tinha muita audiência.

A nossa Companhia chegou a fazer parte da sua programação. Os alferes Pimentel e Amaral em conjunto com o Furriel Valente, realizavam e davam voz, duas vezes por semana, a um programa que se chamava “Mosaico”, e que deixou de ser apresentado, em determinada altura, por considerarem que tentavam interferir, pessoas exteriores à Rádio, na sua linha de orientação.

O motivo do encerramento, que deixou a cidade mais pobre, não foi explicado aos seus fiéis ouvintes. Constou-se que o projeto tinha falido por falta de verbas, mas também se dizia que as pessoas que lhe davam vida entraram em desacordo, provocando zangas entre os mesmos e que por serem totalmente amadores resolveram sair, não havendo a seguir quem assumisse o trabalho que até aí vinham a desenvolver.

sábado, 18 de novembro de 2017



FALECEU O LATA

É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de mais um camarada nosso, que ocorreu no passado dia 13 de Setembro. De seu nome completo MANUEL DOS SANTOS LATA, número mecanográfico 10600269, tinha a especialidade de Condutor Auto Rodas, mas que não a desempenhava. Prestava, sim, serviço no bar dos praças. Pessoa bastante conhecida pela sua forma de estar, não deixava de ser um amigo. Esteve presente na maior parte dos nossos convívios anuais. No ano de 2014, na Mealhada, foi o último em que compareceu, não mais o fazendo por motivos de saúde.

Era natural da Póvoa de Varzim.

Lamentamos só nesta data podermos dar esta triste notícia, mas só agora tivemos conhecimento do acontecimento.

A toda a sua família, bem como aos seus amigos, apresentamos os nossos pêsames, e a ele prestamos-lhe, aqui, a nossa homenagem.

sábado, 11 de novembro de 2017

CABELO, BARBA E BIGODE


Todos nós, militares do nosso Batalhão, passamos pelos chamados anos Sessenta do Sec XX. Esses anos fizeram parte do que muitos consideram ser uma das principais décadas desse período. Em todo o mundo ocorreram factos relevantes para a Humanidade.

Foram muitos, com destaque para alguns: a chegada do Homem à Lua; o assassinato do Presidente Kenneddy: a guerra do Vietname; foi morto Luther King Jnr.; Mao Tse-Tung, na China, lançou a Revolução Cultural; ocorreu na Africa do Sul o primeiro transplante de coração; a IBM lançou o seu primeiro computador; foi construido o Muro de Berlim, etc, etc
Chegada do Homem à Lua

Em Portugal vivia-se num clima nada favorável para a sua população. O regime político da época assim o proporcionava. O abismo social era grande e mais se começou a notar nesta década. Uma solução passava pela emigração. Estima-se que Um Milhão e Trezentos Mil pessoas o fizeram. A este fenómeno juntou-se a deslocalização de muita gente do interior para junto das cidades, mais industrializadas, à procura de trabalho, o que ocasionou a desertificação de grande parte do nosso território. Hoje, ainda, é notório o resultado dessas iniciativas. Os estudantes começaram a organizar manifestações contra poder político, etc, etc.

Além do atrás mencionado começou a Guerra do Ultramar, e aqui começou outro problema para os nossos jovens: o serviço militar era obrigatório e poucos escapavam à mesma, só mesmo aqueles que desertavam ou não se apresentavam, conforme lhes era exigido.

Vivíamos num País sem liberdade, mas mesmo assim haviam certas modas que eram toleradas. Estávamos no período áureo do Beatles e dos Hippies e daí resultava uma tendência, generalizada, nos jovens para usarem o cabelo comprido. Mas no serviço militar isso não era permitido, mas sim o contrário: cabelo curto e cara limpa. Esta regra foi-nos imposta e quem não a cumprisse, minimamente, podia ter dissabores. Acontecia muitas vezes as dispensas de saída serem cortadas a quem não estivesse em tal situação. Como castigo, em muitos casos sem grandes motivos, eram os militares obrigados a cortar o cabelo à “escovinha”. Tal atitude, pouco abonatória e até vexante, motivava que quem a sofria, evitar de ir passar o fim se semana a casa, pois ao apresentar-se assim demonstrava ter sofrido um castigo. Isto passava-se em relação ao cabelo, quanto às barbas e bigodes nada acontecia, pois ninguém arriscava deixar crescer tais decorações faciais.

Exemplo de um corte militar
Os Beatles



Exemplo de Hippies

No Ultramar tais castigos não aconteciam, pois aí o pessoal rapava o cabelo, voluntariamente, com a ideia que tal procedimento era saudável. Havia sempre quem exagerasse no tamanho do mesmo, mas nada de mais, e lá se ia andando. Mas barba e bigode continuava a não ser permitido. Para o caso do bigode, recordo-me, que em certa ocasião ter havido uma viabilidade para se usar, mas sujeita a regras: bigode militar como as normas e para tal teria de se apresentar um desenho ou um croqui do que se pretendia. Claro ninguém se mostrou interessado.

Com o passar do tempo, e o fim da comissão à vista, usar bigode foi permitido sem grandes regras, mas dentro do razoável. Aqui deu-se uma explosão de “bigodistas”, pois talvez metade ou mais da Companhia deixou de rapar o lábio superior. Eu, como na vida civil já usava tal enfeite, aproveitei, a facilidade, e no dia 5 de Março de 1972 mudei o meu visual. Poderei aqui deixar uma confidência: a partir dessa data nunca mais o meu lábio teve a sensação de sentir uma lamina. Coisas da vida!!!!

Mas como sempre o fruto proibido é o mais apetecido, e com o aproximar da viagem de regresso os ditos bigodes foram desaparecendo, pois todos queriam chegar junto dos seus com as caras lavadas. Os cabelos, esses todos deixaram crescer um pouco mais do que as normas exigiam.


Texto: Carlos Amaral

sábado, 4 de novembro de 2017


TRAJAR À CIVIL

Estávamos em Novembro de 1971 e já nos considerávamos uns "velhinhos" nas andanças em que nos tinham metido. As nossa roupas militares pelo uso, excessivo, já tinham um aspecto bastante degradado, mas a elas não podíamos fugir. Mesmo aos Domingos, nas saídas do quartel, tínhamos, claro os praças e cabos, de sair fardados. Havia, no entanto, uma excepção: estavam autorizados seis desses postos a puderem sair trajados com a sua roupa civil. Metia-se uma licença para o efeito, mas dado o grande número de pretendentes, era feito um rateio, e lá havia uns felizardos ou "amigos" a quem a sorte batia à porta. Um pequeno nada mas que tinha um valor muito grande para quem o conseguia.

Claro que quem estivesse atento, facilmente se apercebia, que pelas ruas da cidade, em tais dias, havia muitos mais dos que os autorizados, em tais condições. Ninguém via mal nisso, até pelo contrário: os infringidores sentiam a sua moral elevada e a cidade deixava de ter um ambiente tão esverdeado. Não podemos esquecer que a maioria da sua população era militar.

Os que tinham estabelecido tais regras assim não pensavam, como é óbvio, dessa forma, e num dos giros que o nosso 2º Comandante fez pela cidade constatou o que se estava a passar. E, logo no dia seguinte, ordenou que as "rondas" estivessem atentas, interpelando todos os que assim não pudessem andar, e verificar da sua legalidade quanto à forma de se vestir.

Não ponho em causa o cumprimento dessas regras, mas faço-o quanto aos seus objectivos, perguntando: o que ganhou, com tais incongruências,  a causa que nos levaram a servir ? 

Amaral e Vieira (Ambas as versões)

Texto - Carlos Amaral
             "Meu Baú de Memórias"



segunda-feira, 30 de outubro de 2017


MENSAGENS DO SOLDADO / NATAL

Faz hoje, precisamente, 30 de Outubro, 47 anos que no nosso aquartelamento se apresentou uma equipa de repórteres de uma rádio, que não consegui identificar, mas, com certeza ligada ao Exército Português, para efetuar gravações de mensagens de Natal para quem o pretendesse.

Afastados da suas famílias, e cheios de saudades, os militares, muitas vezes, serviam-se deste meio para felicitarem os seus através da sua própria voz, e assim desejar-lhes que as Festas que se aproximavam corressem o melhor possível. Nem sempre, pelo comoção ocasionada pelo momento, as palavras eram proferidas da melhor forma, sendo necessárias várias tentativas para se conseguir ultrapassar o estado emocional de quem as dizia. Por esses motivos nem todos se sentiam capazes de se inscreverem para o efeito.

Como tais reportagens eram transmitidas, na Metrópole  em horas pouco convenientes, de madrugada e em dia que não era comunicado, a adesão, pelo que tenho em ideia, na nossa Companhia foi muito baixa. Mesmo assim, houve quem tivesse aproveitado a oportunidade.




Fonte - Do meu baú de memórias